Tommy - O gatinho cego achado dentro de um lago.
Oi!

Eu sou o Tommy, um gatinho cego.

Recebi este nome em função de uma tal de ópera rock, que dizem foi muito famosa a muito tempo atrás, quando eu não era nem projeto de gatinho... Coisas de humanos... O personagem principal da ópera também é cego, mas campeão de pimball.

Por ser cego, acabei caindo num lago, perto de uma Ponte de Pedra, no final de uma avenida muito movimentada, no Centro de Porto Alegre/RS. Na noite em que caí, estava muito frio!!!!! Mas consegui me segurar num arbusto e fiquei com metade do corpo dentro da água, brigando por minha vidinha... Cheguei a pensar que iria para o céu dos gatinhos. Mas sou um bravo guerreiro!!! Agüentei até de manhã, quando uma cadelinha que passeava com sua dona me viu e fez tamanha barulheira que logo me tiraram do lago... Ufa...

Eu tremia e tentava arranhar todo mundo, pois não enxergava nada. Tava com muito medo! Fui levado para uma clínica e a tia Vet que me atendeu atestou que eu estava com hipotermia... e o pior... disse também que meus olhinhos não tinham salvação. Isso eu sabia, pois faz um tempão que não enxergo nada: só ouço sons e uso meus instintos para me guiar.

Tô aprendendo a ser um gatinho cego... Mas é dura a vida de um gatinho de rua, ainda mais não enxergando os perigos que o mundo apresenta. Fui para outra clínica e lá outra tia vet me operou. Tirou um dos meus olhinhos, o outro não precisou... Ele já tava perdido a muito tempo... Agora tô me refazendo, comendo bastante e tentando entender este mundo sem luzes...

Os humanos que me resgataram defendem a idéia de que bichinhos "portadores de necessidades especiais" (é assim que eles nos chamam), podem levar uma vida tão boa quanto os que tem olhinhos e patinhas completos. E eu assino embaixo! Não quero morrer agora, depois de tanta luta para não congelar no lago, naquela noite horrorosa!

Também soube que numa tal de Internet tem uma coisa chamada orkut e que lá tem muitos bichinhos como eu... "portadores de necessidades especiais" (tô aprendendo...) ceguinhos, sem patinhas e uns que andam em cadeirinhas de rodas e, nem por isso são menos amados por seus donos. Mas esse é o meu único problema: não tenho "dono"... Sou bem tratado, recebo visitas de uns humanos que falam bem baixinho comigo... mas preciso de uma casa e de alguém que me aceite da maneira como sou.

Se você for um humano com paciência para me ajudar nos primeiros tempos de convivência e que não se importe com "diferenças", pense na possibilidade de me adotar.

Me dê uma chance de demonstrar que eu perdi apenas minha visão, não a capacidade de demonstar amor e afeto. Data: 30/08/2006 Hoje a tia Vet disse que já posso ser adotado por alguém que tenha paciência de me ajudar nesses primeiros tempos.



Miadinhos esperançosos, Tommy

VEJA O FINAL DESSA HISTÓRIA NA SEÇÃO "FINAIS FELIZES"

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