UM HOMEM E SEU CÃO
Um Homem e seu Cão
 
Arbitrariedade, desumanidade, intolerância, insensibilidade e falta de ações efetivas para dar uma vida mais digna aos excluídos, tanto aos homens quanto aos animais.
 
O grupo musical paulista, "Demônios da Garoa"  tem um sucesso chamado "Saudosa Maloca" em que narram as desventuras de cidadãos expulsos "pelos homi", de um barraco onde habitavam e que só tinham a alternativa de ir "pru meio da rua, 'apreciar' a demolição..."
Porto Alegre parece ter se inspirado neste samba para resolver a situação dos papeleiros que são inúmeros nas ruas deste "porto não muito alegre".
Na segunda-feira, dia 30/10, o morador de um edifício da rua José do Patrocínio, bairro Cidade Baixa, incomodado com um morador de rua que "ancorara" na calçada de seu prédio para descansar, chamou os "homi" ou seja, a Brigada Militar, que prontamente atendeu a ocorrência e optou por realizar uma "limpeza"  no local.
Notificou o papeleiro de que nem ele, nem seu carrinho (instrumento de trabalho) e muito menos seu cachorro poderiam permanecer por ali.
Nas palavras do Sargento que comandou a operação: "Não tem nada e ainda vai querer ter cachorro?"
Ocorre que se o cidadão em foco não tem a simpatia  dos moradores da região, o mesmo não acontece com o cão, que com seu jeito dócil e seu gingar de vira-latas bonachão, conquistou a todos, há muito tempo, além de ser muito bem tratado e amado pelo seu  dono "sem teto"  .
Ao saber que a "carrocinha" seria acionada para recolher o "Amarelo", pois não sendo domiciliado, ele não teria direito a permanecer nas ruas, muitos  saíram em defesa do animal. Afinal, como domiciliar um cachorro, se nem seu dono tem um domicílio?
Argumentaram com "os homi", mas de nada adiantou... um caminhão do DMLU foi chamado e os funcionários começaram a recolher os "bens" do morador de rua. Seu carrinho, todo o papelão que recolhera que seria para venda e seu sustento diário e algumas roupas foram trituradas, ali na frente de todos....
A ele restou, como no sambinha paulista, achar "que os homi tá com a razão, nóis arranja outro lugar".
Abraçado a seu cachorro viu seus poucos bens virarem lixo moído.
Mas a "limpeza" não estava completa e antes que a carrocinha fosse chamada para recolher o "Amarelo", este foi entregue a voluntários e ativistas da defesa dos direitos dos animais, que se encontravam no local.
Seu dono despediu-se dele com lágrimas nos olhos, mas consciente de que fazia o melhor pelo bicho, pois "sem teto", "sem emprego" (ainda que batalhe para ganhar a vida recolhendo papelão), tem que ser também "sem cachorro", ainda que a interação com o animal represente muitas vezes, o último traço de sensibilidade nestes indivíduos.
Hoje o "Amarelo" está hospedado em uma clínica e não mais corre o risco de ser considerado um "estorvo", lixo ambulante, algo que deva ser retirado das vistas do "cidadão de bem".
A questão dos moradores de rua é bastante complicada e se constitui num grave problema social, mas acreditamos que expoliar o cidadão dos poucos recursos de que se vale para conseguir o sustento e fazê-lo "circular", não é a forma mais adequada de resolver a questão.
Este indivíduo não tem mais nada a perder: "os homi" tiraram-lhe tudo, seu carrinho, seu papelão e até seu cachorro, o amigo fiel de todas as horas.
O "Amarelo" encontra-se em segurança, aos cuidados da APROCAN, aguardando adoção.



®Todos os direitos reservados. www.portavozanimal.com