Ketty
Porto Alegre/RS - Dezembro de 1999
Noite quente, apesar da garoa que molhava o pátio. Eu, naquela época, além de Professora Estadual, à noite, digitava monografias em casa.
Distraída com meu trabalho não percebi a movimentação diferente dos meus filhos.Quando eles correram até mim e me apresentaram uma caixa de sapatos, já forradinha por eles, com paninhos e dentro dela uma gatinha linda. Os garotos estavam desesperados pois já tinham visto que a bichinha não conseguia caminhar direito, suas patinhas traseiras não a sustentavam por muito tempo.
E agora, o que fazer... Já passava das 23 horas.
Acalmei os meninos e na manhã seguinte fui até uma clínica veterinária onde constataram que ela provavelmente havia sido atropelada. Com a bacia fraturada e sem chance de imobilizar. A respiração dela também era difícil ficando constatada uma lesão no pulmão.
Saí da clínica com uma lista de medicamentos e ração especial para calcificação de ossos. E a recomendação que ela não poderia ter seu pote de água e seu prato de ração colocados no chão e sim numa altura que ela pudesse comer e beber sentada, pois assim facilitaria sua respiração durante suas refeições.
Foram meses de tratamento.
Ketty nunca "reclamou" de nada, meiga, dócil, amorosa, carinhosa, calma. Não miava nem quando a agulha da vacina a espetava.
Sua Vet a chamava de "Lady Ketty".
Um belo dia Ketty entrou no seu primeiro cio. Levei-a castração, mas devido à fragilidade de sua saúde corria sério risco de não sobreviver, mas também corria o mesmo risco se chegasse a "engravidar".
Optamos pela castração e felizmente tudo deu certo.
Fui avisada que a expectativa de vida daquela linda mocinha era muito curta, no máximo 2 a 3 anos.
O tempo foi passando, passando... e a nossa amada Ketty continuava firme mas sempre respirando com dificuldade. Ela nunca conseguiu dormir "enroladinha" como todo o felino gosta de fazer. Precisava de um apoio para dormir e esse apoio era o braço do sofá e nas noites frias as nossas pernas.
Inúmeras vezes acordei toda doída por passar a noite inteira imóvel para não acordar a minha doce princesa.
Ketty tinha muitos amigos humanos. Ela sentava perto das grades e pedia carinho para quem por ali passasse. Também gostava de cães e "beijava" todos os que da grade se aproximavam, por incrível que pareça nunca nenhum cão latia pra ela, simplesmente retribuíam o "beijo".
Seus lindos olhos verdes, seu olhar meigo e sempre pronta a dar carinho mesmo antes de receber, encantavam todas as pessoas que aqui chegavam, mesmo aquelas que não se afinavam muito com felinos.
Nossa comunicação se deu rapidamente, quando ela queria sair para o pátio, ela vinha até mim, dava um miadinho e ia em direção à porta e quando eu dizia pra ela entrar, imediatamente obedecia.
Ketty era também o meu "despertador", não raras vezes fez com que eu não perdesse a hora de levantar para trabalhar. Como? Entre 6h e 6h15min ela começava a bater com a patinha no meu rosto até eu levantar. O único problema é que ela não sabia quando era final de semana, mas isso também não me incomodava, eu levantava, ia com ela até a cozinha, esperava ela comer e nós duas voltávamos pra cama.
Ketty sempre foi a nossa alegria, nosso orgulho, nossa menininha inseparável.
Noite do 12 de maio de 2007
Ketty estava sentada na cama de meu filho quando ele gritou: "mãe, a Ketty não tá bem".Corri até o quarto dele, ela respirava feito um cãozinho cansado (com a língua pra fora). Pedi que São Francisco me orientasse, então lembrei de fazer um reiki (mesmo não sendo reikiana) sei como se faz. Ela foi se acalmando e fez das pernas de meu filho o seu travesseiro, ficando ali quietinha. No dia seguinte, domingo, 13 de maio (dia das mães). Liguei pra Vet dela mas o celular estava desligado, tentei outras Vets que eu conhecia, mas parece que todas tinham sumido de Porto Alegre.
O dia foi passando e ela não comeu nada, ofereci whiskas sachet, coisa que ela não dispensava nunca, mas também não aceitou.
A noite caiu e a Ketty começou novamente com a crise forte de falta de ar.
Eu sem um centavo furado no bolso, estava de mãos amarradas, corri para o msn expliquei rapidamente para um grande amigo o que estava acontecendo com a Ketty e com o "meu bolso".
Sem vacilar ele mandou que eu a levasse imediatamente para o Mundo Animal (Clínica 24 horas).
E agora? Ketty tinha pânico de carro, nos últimos anos sua Vet vinha em casa para aplicar-lhe as vacinas.
Mais uma vez São Francisco ajudou, pedi ao motorista do táxi que fosse o mais rápido possível pois a gatinha estava passando mal e tinha horror de carros, ele também gostava de gatos além de ser amigo de um funcionário da clínica já citada, atendeu meu pedido.
Em poucos minutos chegamos. Mas nesses poucos minutos o pavor que ela sentia de carro agravou a sua situação, acelerando mais seu coração e deixando sua boca roxa.
A Ketty foi imediatamente atendida, sendo levada para o oxigênio, pois diante da gravidade da situação, a Vet achou melhor deixar para mais tarde, quando ela tivesse mais calma, o raio X que seria necessário fazer.
A Vet comunicou-me que ela ficaria internada e que eu deveria voltar pra casa.
Segunda-feira - 14 de maio de 2007 - 6h15min da manhã soou o campainha do telefone e a trágica notícia: Ketty acabava de ir para o céu dos gatinhos...
A dor da perda de um membro família, sim, a Ketty era um membro da nossa família, não tem palavras que possam descrever.
Um vazio imenso, uma dor intensa, uma tristeza infinita...
“Lady” Ketty - querida até por muitos que sequer sabiam seu nome - sua presença durante quase 8 anos em nossas vidas, superando todas as expectativas, foi uma bênção. Com você, minha doce Princesinha, meus filhos aprenderam, na prática, o que eu lhes ensinava na teoria: a amar e respeitar os animais.
Você jamais será esquecida, jamais deixará de ser amada, mesmo estando longe - ou muito perto, não sei...
Ketty - deixo aqui expressa a nossa infinita saudade. Agradeço por ter resistido bravamente durante esses 8 anos, dando-nos amor e carinho.
Sei que você entendeu o motivo da minha demora em fazer-lhe essa homenagem, assim como já deve ter entendido o porquê ainda não tive coragem de colocar suas cinzas no seu lugarzinho preferido do nosso pátio... Aquele potinho preto com seu nome foi tudo o que me restou...
Nina Hinerich e família
Gracinha
Gracinha (assim a batizei) foi recolhida por uma moça no canteiro de uma avenida movimentada, no dia 19 de setembro de 2006.
Já com sua vidinha por um fio. Deveria estar jogada ali há, pelo menos uns 4 dias, sem comer. Sequer sabia mamar em uma gata-mãe que conseguimos para ela. Ela teve que ser alimentada de seringa até ficar com um pouquinho de forças. Teve toda a sorte de doenças, e sempre conseguiu se safar, mesmo sabendo que os prognósticos para o seu futuro eram os piores possíveis, nunca desistimos dela, as pneumonias começaram a se tornar cada dia mais freqüentes. A cada mudança de temperatura, por mínima que fosse, lá estava ela com pneumonia outra vez.
Até que hoje, 08/01/2007, com quase 4 meses de vida, ela partiu para sempre.
Jamais esquecerei esse serzinho tão indefeso que tão pouco pudemos ajudar, por mais que tenhamos tentado, de todas as maneiras.
Gracinha, seu corpinho ficará no meu jardim, sob muitas flores, mas sei que sua alma estará livre no céu dos gatinhos. Eu te Amei, te Amo e te Amarei para sempre, você será, em minha vida, o símbolo do desejo desesperado de viver. Você deixou em mim marcas profundas de amor incondicional.
Só quando se perde um ser amado consegue-se dar valor à vida.
Nina
Klaus
Deixamos aqui registrada a nossa revolta diante da indiferença, de muitos, incluindo nossos governantes que muito poderiam fazer para minimizar o sofrimento de seres indefesos como você.
Deixamos aqui registrado nosso repúdio àquela que foi sua "dona" até pouco tempo atrás.
Deixamos aqui registrada a nossa imensa tristeza de tê-lo perdido para a morte.
Mas também deixamos aqui registrada a nossa certeza que você foi para um lugar melhor, onde a crueldade, a insanidade, a indiferença, não existem.
Só nos resta dizer: adeus... AMIGO...
Novembro de 2006
Branca
Cachorra de aproximadamente 8 anos, seus dentinhos todos gastos diziam que não tinha tido uma vida fácil. Foi recolhida para um canil, estava muito desnutrida, cheia de vermes. Um dia uma protetora achou esse canil e começou a dar carinho e cuidados a todos que lá estavam.
Cadela muito dócil, meiga, faceira.
Certo dia ficou triste no outro mais triste, mas havia muitos cães para serem cuidados e a minha protetorinha não viu que eu estava morrendo. Quando começou a me notar já era muito tarde, pois estava com piometra. Levei-a imediatamente ao veterinário no qual não houve maneira de salvá-la. Só lembro do último adeus, em que quando eu saia do consultório ela me olhou e ‘disse’: Adeus, obrigada! Ainda teve forças pra balançar o rabinho. Isso pra mim foi tão certo que ela estava se despedindo que voltei e dei-lhe um beijo em seu fucinho.
Branca querida se eu não fiz mais é porque realmente não tive condições. Fica em paz.
Branca deixou esse mundo em setembro de 2006
Madona
A cadelinha Madona foi salva da morte quando sua madrinha e uma amiga subiram um morro para resgatá-la,pois seu dono havia matado todos os seus filhotes e furado um de seus olhinhos com uma enxada.
Ela foi morar em outra cidade e foi feliz por um bom tempo, até que um humano cruel envenenou-a e a todos os seus amiguinhos da rua.
Polly
Morreu atropelada, em 2004, tinha apenas 6 meses.
Piuí
A gatinha Piuí morou um tempo numa garagem até ser adotada já adulta. Foi companheira e amiga de sua dona por mais de 11 anos. Em fevereiro de 2004 foi para o céu dos gatinhos.
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